
1109 foi o provável ano de nascimento, em Coimbra, do infante Afonso Henriques, filho do conde Henrique de Borgonha, um francês chiquérrimo e de dona Teresa, bastarda do rei Afonso VI de Castela e Leão.
O nosso infante considerava-se um moçoilo trigueiro, vivendo uma existência feliz, por entre os prados junto ao castelo, na companhia do seu fiel educador e pau-para-toda-a-obra Egas Moniz. O jovem adorava sandes de marmota com o rabo na boca e frequentemente era visto a coçar os ditos cujos, característica própria de um rei boçal - há quem diga (por exemplo, eu) que nas suas batalhas, enquanto amassava os inimigos - sim, porque com aqueles pedaços rectangulares de pau com aço na pontas, só mesmo na base da moca na cabeça para os enterrar - afonso cantarolava uma conhecida canção medieval, interpretada actualmente pelos Evanescence e pelo coro de Santo Amaro de Oeiras.
Era um futurista. Com 13 anos comporta-se como um verdadeiro Napoleão - ignorando o cardeal que presidia a cerimónia, arma-se cavaleiro na catedral de Zamora. Pouco tempo depois, o nosso afonso assume o complexozinho de édipo - luta contra dona Teresa e seu aliado, ocasionalmente companheiro de roço, o conde galego Fernão Peres de Trava.
Andava o D. Afonso numas de chatear a sua mãe e alimentar uns ódios fidalgais (o mens do roço era fidalgo) quando o rei do pedaço ibérico, também Afonso (VII), manda parar o baile - afinal, o toy não apareceu, os estados de Portucale pertenciam a leão e as batatas eram jeitosas. Gajas é que não - lo que sobra em pelosidades, lhes falta no salero, como ele costumava dizer.
Especialmente para vós, eis a verdadeira transcrição do diálogo:
Se non vos portiarem biem, Voi-vos invadir, por supuesto -anunciou D. Afonso VII.
Meu senhore, vamoi-nos portare biene -respondeu D. Teresa, com ar cândido e no seu extraordinário sotaque galaico-português.
Sua realeza, dou-lhe a minha palavra, e ofereço a minha cabeça, da minha Fátima e do meu Antunes como garantia da nossa promessa -O rosto de Egas Moniz ao proferir esta frase estava baço e amarelado, pois mesmo antes de subir no cavalo fora atacado por uma crise de figadeira.
Sossegado o rei, na primeira oportunidade que teve, em 1128, o nosso infante marcha contra os soldados de D. Teresa e do Conde de Trava. É a batalha de S. Mamede, em Guimarães, que o coroa como vencedor - o primeiro grande passo para, 12 anos mais tarde, ser reconhecido como Rei de Portugal.
E agora, pergunto:
E o Egas?
Como ficaram as cabeças do Egas, da Fátima e do Antunes?
Será que o Egas tinha bigode?
A boçalidade não tem prazo de validade?
O nosso governo tem algum ministro cuja única função é oferecer a cabeça a prémio?
Se sim, ONDE É QUE ESTÁ O MENS?