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25.8.05

Homage a Afonso I



1109 foi o provável ano de nascimento, em Coimbra, do infante Afonso Henriques, filho do conde Henrique de Borgonha, um francês chiquérrimo e de dona Teresa, bastarda do rei Afonso VI de Castela e Leão.

O nosso infante considerava-se um moçoilo trigueiro, vivendo uma existência feliz, por entre os prados junto ao castelo, na companhia do seu fiel educador e pau-para-toda-a-obra Egas Moniz. O jovem adorava sandes de marmota com o rabo na boca e frequentemente era visto a coçar os ditos cujos, característica própria de um rei boçal - há quem diga (por exemplo, eu) que nas suas batalhas, enquanto amassava os inimigos - sim, porque com aqueles pedaços rectangulares de pau com aço na pontas, só mesmo na base da moca na cabeça para os enterrar - afonso cantarolava uma conhecida canção medieval, interpretada actualmente pelos Evanescence e pelo coro de Santo Amaro de Oeiras.

Era um futurista. Com 13 anos comporta-se como um verdadeiro Napoleão - ignorando o cardeal que presidia a cerimónia, arma-se cavaleiro na catedral de Zamora. Pouco tempo depois, o nosso afonso assume o complexozinho de édipo - luta contra dona Teresa e seu aliado, ocasionalmente companheiro de roço, o conde galego Fernão Peres de Trava.

Andava o D. Afonso numas de chatear a sua mãe e alimentar uns ódios fidalgais (o mens do roço era fidalgo) quando o rei do pedaço ibérico, também Afonso (VII), manda parar o baile - afinal, o toy não apareceu, os estados de Portucale pertenciam a leão e as batatas eram jeitosas. Gajas é que não - lo que sobra em pelosidades, lhes falta no salero, como ele costumava dizer.

Especialmente para vós, eis a verdadeira transcrição do diálogo:

Se non vos portiarem biem, Voi-vos invadir, por supuesto -anunciou D. Afonso VII.

Meu senhore, vamoi-nos portare biene -respondeu D. Teresa, com ar cândido e no seu extraordinário sotaque galaico-português.

Sua realeza, dou-lhe a minha palavra, e ofereço a minha cabeça, da minha Fátima e do meu Antunes como garantia da nossa promessa -O rosto de Egas Moniz ao proferir esta frase estava baço e amarelado, pois mesmo antes de subir no cavalo fora atacado por uma crise de figadeira.

Sossegado o rei, na primeira oportunidade que teve, em 1128, o nosso infante marcha contra os soldados de D. Teresa e do Conde de Trava. É a batalha de S. Mamede, em Guimarães, que o coroa como vencedor - o primeiro grande passo para, 12 anos mais tarde, ser reconhecido como Rei de Portugal.

E agora, pergunto:
E o Egas?
Como ficaram as cabeças do Egas, da Fátima e do Antunes?
Será que o Egas tinha bigode?
A boçalidade não tem prazo de validade?
O nosso governo tem algum ministro cuja única função é oferecer a cabeça a prémio?
Se sim, ONDE É QUE ESTÁ O MENS?

9 Comments:

Blogger rukia said...

Caríssimo,
Agradecida pelo seu testemunho.
É uma honra tê-lo como leitor destes primórdios da nação. Volte sempre!

3:55 p.m.

 
Blogger Provedor Absoluto said...

Yah! Bela crónica histórica.
Eu que sou, praticamente, um intelectualóide, um gajo de esquerda moderada, que até me interesso pelas cenas da cultura e assim, já há muito não via um apontamento histórico tão bem parido.
Resta-me dizer-te, em tom de conselho, que não te deixes enxovalhar e tem cuidado com os esfíncteres, pois é por lá que entram a maior parte dos micróbios, tás a ver?!

1:06 a.m.

 
Blogger rukia said...

Grande provedor absoluto..pensei por momentos que esta crónica poderia apaziguar a onda freakalhaça que se apoderou de ti.
O partido sente a tua falta, mui nobre companheiro heráldico.. já não temos ninguém para as batalhas navais e para os estudos de genealogia esfinctérica comparada - até o bastos nos deixou. O pobre coitado arranjou um trabalho de verão a vender bolas de berlim em carcavelos. É a vida madrasta!

10:31 p.m.

 
Blogger izzolda said...

Um relato mui fidedigno e louvável. Quanto ao Egas, depois da sua participação recente numa série infantil de TV (onde ainda surge com o clássico tom amarelado, devido às frequentes crises figadais), consta que emigrou para terras nórdicas e se tornou asceta.

11:01 p.m.

 
Blogger rukia said...

Minha Cara! Benvinda sejas!
Isso quer dizer então!! o Egas safou-se!
E a Fátima e Antunes? Ouvi dizer que abriram um negócio para os lados da capitão pombeiro, num teatro-cinema ou coisa que o valha. Mas não sei se são os mesmos...em todo o caso, há que passar por lá, acho que está muito higiénico e arejado..

11:24 a.m.

 
Blogger rukia said...

babas á parte - meu caro, já há muito que não assentava a minha distorcida visão na sua bela escrita rangervisionária, claramente uma das suas melhores prestações na escrita lusa.
Daí lanço-lhe um repto. Porque não reanimá-la?
Seria..como dizer..o retorno do sebastianismo literário! :)

11:56 a.m.

 
Blogger rukia said...

Vamos então fazer latejar o músculo ranger que há em nós!

11:08 a.m.

 
Anonymous Anónimo said...

quanto à crónica: bravo, mas faltou sublinhar, apesar de se entender, que portugal nasceu então de uma dívida que, à boa maneira portuga, prescreveu passadas as referidas luas. quanto à cabeça de um político português, pode-se arranjar, vende-se nas lojas dos chineses (os novos afonsos). mais uma vez: sim senhorinha, uma estória digna de se perpetuar nos azulejos do metro do porto, por exemplo.

4:41 a.m.

 
Blogger rukia said...

vaca de fogo,
Sem dúvida, a dívida prescreveu mas ramificou-se, propondo-se desde já uma venda a retalho para liquidar as contas.
Em relação aos azulejos: Vou já telefonar ao Júlio Resende para lhe propôr a temática.:)

Seja Bemvinda(o) :)

11:27 a.m.

 

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